{"id":942,"date":"2022-04-12T16:58:01","date_gmt":"2022-04-12T19:58:01","guid":{"rendered":"http:\/\/fernandabellicieri.com\/?post_type=project&#038;p=942"},"modified":"2022-08-30T15:06:02","modified_gmt":"2022-08-30T18:06:02","slug":"a-distancia-as-catedrais-e-os-pontos-finais","status":"publish","type":"project","link":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/project\/a-distancia-as-catedrais-e-os-pontos-finais\/","title":{"rendered":"A Dist\u00e2ncia, as Catedrais e os Pontos Finais"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">Era uma vez, a \u00faltima vez\u2026 E Pussy ainda n\u00e3o sabia como se sentia ou deveria se sentir. O tr\u00e2nsito estava absolutamente insuport\u00e1vel, como de costume, como algo a que nunca se deveria acostumar. Engra\u00e7ado, as pessoas simplesmente se acomodam, em um sentido t\u00e3o absurdamente diferente do que de fato deveria ser &#8220;acomodar-se&#8221;. Acomodar-se n\u00e3o \u00e9 c\u00f4modo: d\u00f3i, irrita, arranha. N\u00e3o existe acomoda\u00e7\u00e3o c\u00f4moda, assim como o tr\u00e2nsito caos, as luzes incisivas do farol vermelho, as not\u00edcias est\u00fapidas na r\u00e1dio de not\u00edcias est\u00fapidas\u2026 Tudo era como sempre: como os finais, os \u00faltimos encontros, como aquele seu momento em que ela n\u00e3o sabia ao certo como deveria se sentir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5c8c0515a49d48d6c5d0b785_02x05-Img01.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u200dOra, Pussy Jane, os finais abra\u00e7am a liberdade, sinalizam a mudan\u00e7a, violentam retrovisores, s\u00e3o paradoxais\u2026 Sorriem o desconforto que n\u00e3o \u00e9 nada c\u00f4modo, mas movimentam e s\u00e3o vida, apesar de fazerem nascer um novo par\u00e1grafo mediante morte e ponto final. Os finais te trazem de volta, Pussy Jane. Por que o medo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ah, ent\u00e3o era medo\u2026 Era medo que sentia\u2026 Sempre teve tanto medo de sentir medo\u2026 Que diabos!! Como poderia ser escritora se n\u00e3o sabia usar o ponto final, se confundia passado com presente e era inconsequente demais para usar v\u00edrgulas e estruturar per\u00edodos? Ou ela se achava mesmo James Joyce, ou era um completo fracasso! Um escritor precisa de come\u00e7os, meios e fins, conclus\u00f5es e argumentos. Que tipo de escritora era aquela que n\u00e3o sabia como se sentir diante de um final? Feliz?<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5c8c053ceac35c92721358e6_02x05-Img02.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por que afinal a regra nomeava os finais como felizes? Que est\u00fapidos eram os contos de fada da inf\u00e2ncia, seus sapatinhos de cristal, os casamentos caricatos, as fadas madrinhas e a \u00faltima p\u00e1gina escrita em letra g\u00f3tica austera: Final Feliz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pussy menina sempre se sentira distante daqueles finais felizes\u2026 Tinham o mesmo gosto da dist\u00e2ncia que sentira quando de sua primeira visita a uma catedral. Podia ser em alguma Inglaterra, Mil\u00e3o ou Paris, podia ser sua primeira ou \u00faltima catedral; para ela, estaria sempre calcada e concreta em letras de final feliz: g\u00f3ticas, perturbadoras e t\u00e3o incoerentemente coloridas. Definitivamente, finais n\u00e3o podiam ser felizes!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As catedrais de Pussy Jane eram em preto e branco: passado e mem\u00f3ria. Como os pontos finais, brincando de trazer novas cores, mas deixando-a ali, t\u00e3o pequena, menina, t\u00e3o longe de Deus. A mesma dist\u00e2ncia que n\u00e3o se pode medir entre aquele que tem o poder e aquele que implora. A dist\u00e2ncia, as catedrais e os pontos finais. Indel\u00e9veis, sublimes e concretos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u200dIr\u00f4nico\u2026 Havia passado uma toda exist\u00eancia julgando-se uma boa contadora de hist\u00f3rias, e o que a vida lhe oferecia? Um momento de morte: o tr\u00e2nsito ca\u00f3tico, medido a tempo perdido, separando-a do que ela deveria sentir em seu confronto com um ponto final. O prazer de se estar vivo versus a certeza de morte\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez por isso as pessoas se ocupassem de unhas a fazer, contas a pagar, far\u00f3is vermelhos, vida do vizinho, cap\u00edtulo da novela. Existe perigo mais voraz do que a n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o? Do que confrontar -se consigo diante da certeza dos pontos finais reais?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Calma l\u00e1 tamb\u00e9m n\u00e9, Pussy Jane? Menos Drama Queen please \u2026 \u00c9 s\u00f3 o \u00faltimo show do Scorpions, e voc\u00ea nem est\u00e1 t\u00e3o atrasada\u2026 N\u00e3o \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o do apocalipse Maia, o PT ganhando mais uma elei\u00e7\u00e3o, a sa\u00edda do Bruce Dickinson do Iron Maiden\u2026 \u00c9 s\u00f3 um \u00faltimo show! A quantos \u00faltimos shows do Scorpions voc\u00ea j\u00e1 foi? Ano passado a banda anunciou a mesma coisa\u2026&#8221;Sting in the tail&#8221; era pra ser o \u00e1lbum de despedida. Vai com calma, \u00e9 s\u00f3 mais um \u00faltimo show\u2026<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5c8c056fe9277686e7fe1a68_02x05-Img03.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u200dN\u00e3o, definitivamente n\u00e3o era\u2026 Era a intermitente li\u00e7\u00e3o de lidar com a possibilidade de pontos finais. E seu grau de habilidade em aprend\u00ea-la poderia fazer daquele o melhor ou o pior momento de sua vida finita, nada intermedi\u00e1rio ou menos decisivo que isso, porque, afinal, a vida n\u00e3o \u00e9 intermediara, ensaio ou rascunho; \u00e9 o original publicado. E Pussy Jane, ridiculamente \u00e0s voltas consigo mesma por causa de um maldito \u00faltimo show, o que por si s\u00f3, j\u00e1 o tornava catedralizado parte de sua hist\u00f3ria pessoal, como os momentos memor\u00e1veis devem ser\u2026<br>Ou n\u00e3o?<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5c8c05b56dbd3c6900b068b0_02x05-Img04.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u200d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Claro que n\u00e3o, Pussy Jane! Momentos memor\u00e1veis servem para alimentar de nostalgia as catedrais indel\u00e9veis, fantasiadas de mosaico colorido, mas enterradas na alma em preto e branco.<br>\u00c9 isso que voc\u00ea quer se tornar? Um ser humano finito, aprisionado por infinais, carregando mem\u00f3rias que n\u00e3o morrem enquanto seu tempo passa? Logo voc\u00ea vai come\u00e7ar a amar os cap\u00edtulos de novela, depender das contas a pagar, das unhas a fazer, e achar extremamente relevante a roupa a vestir; afinal, pode-se trocar a roupa, n\u00e3o a alma\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u200dTudo mec\u00e2nico e infinitamente repetitivo para sedar o presente de sua consci\u00eancia de fim. E um presente anestesiado n\u00e3o d\u00f3i, n\u00e3o se move, n\u00e3o cutuca; s\u00f3 existe resistindo na medida do toler\u00e1vel desconforto habitual com o tr\u00e2nsito, as dist\u00e2ncias e a conviv\u00eancia pac\u00edfica com as catedrais em cinza. Primeira marcha, segunda e at\u00e9, quem sabe, uma quinta; mas ainda assim se est\u00e1 sentado no banco de um carro, protegido por janelas e orientado por far\u00f3is\u2026 At\u00e9 que o tempo e a dist\u00e2ncia pare\u00e7am ser apenas n\u00fameros aprisionados em rel\u00f3gios e veloc\u00edmetros digitais, e nem pare\u00e7am mais vida. Daria at\u00e9 pra esquecer que esse poderia ser o \u00faltimo show do Scorpions e, talvez, o \u00faltimo show\u2026 \u00cddolos tamb\u00e9m adoecem, Pussy Jane. Ou somos n\u00f3s que adoecemos o caminho? Esquecemos que o veloc\u00edmetro desperdi\u00e7ado n\u00e3o \u00e9 apenas rela\u00e7\u00e3o tempo-dist\u00e2ncia, \u00e9 a vida passando\u2026 Adormecemos alguma coisa l\u00e1 dentro, ate que o que era sonho se torne apenas mais um show, mais uma mentira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Engra\u00e7ado isso, de um jeito que n\u00e3o faz rir\u2026 Adormecemos de um jeito que inspira os olhos a chorarem; e n\u00e3o pela novela, pelo final feliz ou infeliz do filme; nos inspira a chorar simplesmente pelo fato de nos depararmos com o fim. Um ponto final.<br>\u200d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5c8c05f6df5dd04bcb9e9bb6_02x05-Img06.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era uma vez, era pra ser s\u00f3 o grande \u00faltimo show do Scorpions. E Pussy estava atrasada, presa no tr\u00e2nsito e nas dist\u00e2ncias das catedrais que constru\u00edra dentro de um si, que j\u00e1 n\u00e3o sabia se era um si, seu, ou se\u2026 Um si condicional, condicionado aos trajetos de farol e a olhar o mundo pela janela convers\u00edvel de um carro comum. A janela que, ora a jogava pra dentro, ora a arremessava para fora. Diabos de mec\u00e2nica falha!! A janela devia ser feita para proteger, vedar, e n\u00e3o para faz\u00ea-la enxergar a pr\u00f3pria alma: o tr\u00e2nsito n\u00e3o era tr\u00e2nsito, o caminho n\u00e3o era s\u00f3 caminho, o show do Scorpions n\u00e3o era s\u00f3 o \u00faltimo show do Scorpions.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo do\u00eda metaforicamente como uma picada letal. Uma piada letal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp; &nbsp;Take me to the magic of the moment<br>&nbsp; &nbsp;On a glory night<br>&nbsp; &nbsp;Where the children of tomorrow dream away<br>&nbsp; &nbsp;in the wind of change<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5c8c0663a49d4847c6d0b9c5_02x05-Img07.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a m\u00fasica em si, ou l\u00e1, ou f\u00e1\u2026 tocando em um tempo que n\u00e3o era real, mas era totalmente seu: a inf\u00e2ncia\u2026 Como Pussy Jane menina adorava aquela m\u00fasica! E nem tinha idades ainda para saber que se tratava de Scorpions, de si ou l\u00e1 ou c\u00e1, e que um dia se trataria de assistir a um \u00faltimo show de sua vida. Ser\u00e1 que a menina adivinhava o que as mudan\u00e7as trariam?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Wind of change&#8221; era o nome da m\u00fasica! O que ser\u00e1 que Pussy Jane de tran\u00e7as diria \u00e0quela mo\u00e7a no volante confrontada de ponto final, atrasada, presa no tr\u00e2nsito das janelas convers\u00edveis das catedrais dos imposs\u00edveis finais felizes?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Wind of change&#8221; era o nome da m\u00fasica\u2026 Era Scorpions, a vida e o ponto final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">In the wind of change&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a menina sorriu, ali no meio de alguma Marginal Pinheiros, de um centro urbano como S\u00e3o Paulo ou Londres, a caminho de um seu \u00faltimo show que era tamb\u00e9m seu primeiro\u2026 Tudo o que a menina queria era assistir ao show da banda que tocava &#8220;Wind of change&#8221;.<br>E a menina sorriu: o volante que a dirigia, os far\u00f3is que divertiam, at\u00e9 a pilha de carros enfileirados, xingando uns aos outros, e maldizendo a urbanidade devastadora. A menina sorriu: era o \u00faltimo show do Scorpions e ela estaria l\u00e1!! Ent\u00e3o, o ponto final que era interroga\u00e7\u00e3o n\u00e3o a p\u00f4de perturbar, porque poderia ser interroga\u00e7\u00e3o sempre que quisesse, afinal, era ela quem desenhava, era ela que seria James Joyce ou apenas Pussy Jane Allsteam. Absolutamente ela\u2026 E as catedrais colidiram-se e, em mosaico, coloriram-se de alma, e as dist\u00e2ncias entre tempos passados e futuros dissolveram-se de regras de sintaxe. E os finais pontuaram-se volantes, na palma da m\u00e3o, transit\u00e1veis, transit\u00f3rios, inesquec\u00edveis novos come\u00e7os\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp; &nbsp;In the wind of change<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o era apenas um show, nem era apenas Scorpions\u2026 Era Pussy Jane Allsteam escrevendo sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Ponto final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5c8c069deac35cf901135a4d_02x05-Img08.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-pale-pink-color has-alpha-channel-opacity has-pale-pink-background-color has-background\"\/>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma vez, a \u00faltima vez\u2026 E Pussy ainda n\u00e3o sabia como se sentia ou deveria se sentir. O tr\u00e2nsito estava absolutamente insuport\u00e1vel, como de costume, como algo a que nunca se deveria acostumar. Engra\u00e7ado, as pessoas simplesmente se acomodam, em um sentido t\u00e3o absurdamente diferente do que de fato deveria ser &#8220;acomodar-se&#8221;. 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