{"id":1049,"date":"2022-04-12T17:51:58","date_gmt":"2022-04-12T20:51:58","guid":{"rendered":"http:\/\/fernandabellicieri.com\/?post_type=project&#038;p=1049"},"modified":"2022-08-30T15:08:35","modified_gmt":"2022-08-30T18:08:35","slug":"pussy-que-pula-o-homem-alanha-e-o-picatao-gancho","status":"publish","type":"project","link":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/project\/pussy-que-pula-o-homem-alanha-e-o-picatao-gancho\/","title":{"rendered":"Pussy que pula, o Homem Alanha e o Picat\u00e3o Gancho"},"content":{"rendered":"<p>De certo, seria um tremendo desafio&#8230; N\u00e3o pelo fato de nutrir qualquer esperan\u00e7a de que pudesse realizar a tarefa (sabia ser completamente desqualificada). O desafio reca\u00eda pura e simplesmente na tentativa angustiante de n\u00e3o frustrar as expectativas alheias. N\u00e3o que ligasse muito comumente para expectativas alheias (era uma puta ego\u00edsta). Ou ser\u00e1 que ligava? (era uma puta babaca)&#8230; Mas aquelas expectativas faziam-se especiais: o sobrinho, praticamente um filho que, por sorte da crian\u00e7a, n\u00e3o o era.<\/p>\n\n\n\n<p>Ah, vai Pussy Jane, \u00e0s vezes voc\u00ea se menospreza demais!! Qual a porra da dificuldade de se criar uma crian\u00e7a? A pior parte seria encontrar um espermatozoide decentemente habilitado; e teria que ser algu\u00e9m bastante equilibrado para compensar sua gen\u00e9tica esquizofr\u00eanica. E, em se considerando seu bom senso, voc\u00ea jamais seria capaz de discernir entre um espermatozoide habilitado e um girino. Mais f\u00e1cil gerar um sapo do que um pr\u00edncipe!<\/p>\n\n\n\n<p>Mas que droga!! S\u00f3 queria passar uma tarde tranquila com o sobrinho! Por que, diabos, tinha que se destruir tanto?!! Ok, certo que n\u00e3o tinha voca\u00e7\u00e3o para m\u00e3e&#8230; Mas nem era! Era s\u00f3 uma tia desequilibrada que podia, sim, atender \u00e0s expectativas de seu sobrinho de tr\u00eas anos!! Por que n\u00e3o atenderia?<\/p>\n\n\n\n<p>U\u00e9, talvez ele j\u00e1 tenha tido contato com pessoas psicologicamente mais habilitadas, pedagogicamente trabalhadas em Piaget, Freud, Vygotsky. Que porra ela entendia de teoria educacional?!! Tinha aprendido tempo verbal conjugando palavr\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>E da\u00ed? Era \u00f3tima em conjugar verbos. Sua habilidade l\u00e9xica talvez tenha vindo exatamente dessa raiz escatol\u00f3gica!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9&#8230; Talvez estejamos mesmo no fim dos tempos: Pussy tia-quase m\u00e3e: o que mais se poderia esperar? O que mais se poder\u00e1, se poderia, se f&#8230; se f..deria?<\/p>\n\n\n\n<p>\u200d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5c8fe2aa6094b8cd44aea96e_04x01-Img01.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Pussy chegou, enfim, \u00e0 casa do irm\u00e3o e da cunhada para buscar a encomenda: 3 anos de Homem Aranha de 1,03 m que, com certeza, a julgar pelo tamanho do p\u00e9, aos 20 passaria dos 2,10 m e a levantaria com uma m\u00e3o s\u00f3, em um \u00fanico golpe. Homem-Alanha: era assim que o sobrinho se autodesignava, do alto de seus tr\u00eas anos de livre arb\u00edtrio e algum conhecimento sobre her\u00f3is, dinossauros e HQ&#8217;s.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Oi Pussy que Pula!! &#8211; e era assim que o sobrinho a designava com a autoridade de seus somente tr\u00eas anos de idade e aparente super poder de s\u00edntese: nunca ningu\u00e9m a havia designado t\u00e3o bem&#8230; Ela devia ser realmente irritante, alguma qualquer coisa que pula&#8230; E ele, um potencial futuro redator publicit\u00e1rio, escritor, criador de personagens. \u00c9, ele de fato havia sa\u00eddo \u00e0 moda dela. Sentiu-se culpada por isso&#8230; Pobre Homem Aranha&#8230; Por um instante Pussy &nbsp;pensou que talvez n\u00e3o devesse ter mais sobrinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Oi, lindo!! &#8211; Pussy chegou entusiasmada, tentando disfar\u00e7ar a ansiedade, esconder o fato de que se sentia t\u00e3o in\u00e1bil para lidar com crian\u00e7as, t\u00e3o sem Piaget, Freud ou Paulo Freire, t\u00e3o assim Pussy que Pula&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Lindo, n\u00e3o!! Eu sou o Homem Alanha!<\/p>\n\n\n\n<p>\u200d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5c8fe2c43a73125a0fe26938_04x01-Img02.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u200dPussy levou a primeira invertida do dia, de tia. E, para completar o golpe, tomou de susto uma espada que era, na verdade, um cabo de vassoura.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Toma Tiguesa, toma sua espada. Vamos, Vamos logo!<\/p>\n\n\n\n<p>Era assim que o Homem Alanha a designava: Tiguesa, a amiga do Homem Alanha que, na verdade, era um personagem do King Fu Panda&#8230; Talvez um dia se sentisse uma Tiguesa realmente, mas faltava muito. Sua autoimagem estava mais para girafa desengon\u00e7ada, al\u00e9m de aqu\u00e9m da felinidade vociferante prerrogativa das tigresas&#8230; Vai ver o sobrinho, em sua perspic\u00e1cia adquirida das leituras visuais de HQ e sua observa\u00e7\u00e3o curiosa que s\u00f3 as crian\u00e7as Homem Alanha t\u00eam, houvesse percebido nela uma vontade intr\u00ednseca, um dado ainda que pardo, da vontade de ser tigresa. E, em percebendo, tomou posse do exerc\u00edcio de sua &nbsp;fun\u00e7\u00e3o como replicador do Ethos que o mundo teima em hipocritamente ensinar \u00e0s crian\u00e7as: querer \u00e9 poder.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Toma Tiguesa, sua espada!!<\/p>\n\n\n\n<p>Ou ser\u00e1 que o sobrinho associara a tigresa \u00e0 bolsa de oncinha? Puta que pariu, hein, Pussy Jane? Bolsa de oncinha??!! Voc\u00ea ainda n\u00e3o jogou essa merda fora?!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9, o sobrinho tinha um \u00f3timo senso de humor&#8230; Tiguesa&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Por um &nbsp;instante Pussy &nbsp;pensou que talvez &nbsp;devesse, sim, ter mais sobrinhos. Ou, pelo menos, para n\u00e3o causar tanto estrago ao fim do mundo, talvez devesse marcar mais tardes daquelas com o seu um sobrinho (afinal ele j\u00e1 n\u00e3o tinha mais escolha&#8230; nascera sobrinho da tia). Parecia potencialmente mais divertido do que a \u00faltima balada fracassada com o pistoleiro que a havia levado a um restaurante com forr\u00f3 ao vivo, cujo pre\u00e7o do quilo pareava com &#8220;mortandela&#8221; de segunda. Pelo menos ali, Pussy era a tigresa, empunhando espada ou cabo de vassoura; e sua bolsa de oncinha n\u00e3o era defeito, mas qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou ser\u00e1 que o sobrinho tinha sido mesmo ir\u00f4nico? Ser\u00e1 que o Homem Alanha seria capaz disso? Que merda estava acontecendo com os her\u00f3is??<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ok Homem Alanha! Toca aqui! Fala tchau pra mam\u00e3e e pro papai. E pega a bola!<\/p>\n\n\n\n<p>E rumaram elevador abaixo (que era, na verdade, o t\u00fanel do Dr Octopussy tavius), enquanto papai e mam\u00e3e preparavam-se para o trabalho, deixando-a com a incumb\u00eancia de, para al\u00e9m da brincadeira, fazer com que o Homem Alanha tomasse banho (miss\u00e3o dificultosa) e comesse papinha de verdade, inclusive &#8220;betaba&#8221; e n\u00e3o apenas bigadeilo&#8230; Miss\u00e3o imposs\u00edvel era o nome do filme&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Desceram rumo ao parquinho do pr\u00e9dio da casa do Homem Alanha (que era, na verdade, o esconderijo do Boneco Feio que era, na verdade, o amigo mau do Gordinho de \u00f3culos que &nbsp;era, na verdade, um parente distante do Venon).<\/p>\n\n\n\n<p>Desceram: &nbsp;a Tia Tiguesa que se sentia girafa, apesar da bolsa de oncinha, e o Homem Aranha, ambos \u00e1vidos por alguma brincadeira, cada qual com seus pr\u00f3prios e \u00f3bvios motivos: o Sr Nen\u00ea, cumprir sua rotina l\u00fadica de colecionador de her\u00f3is e Pussy, desorden\u00e1-las: a sua rotina e a da pobre crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>E a tarde toda passou em alguns segundos: da casa \u00e0 cabana, do jogo de futebol \u00e0 tempestade em alto-mar, da areia movedi\u00e7a \u00e0 floresta encantada&#8230;. Pussy e o sobrinho desenharam suas hist\u00f3rias tal qual aqueles que pintam um futuro sem nem ao menos ansiar por ele, aqueles que simplesmente pintam o futuro que descololiilai&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Puqu\u00ea descololilai?? \u00c9 muito tiste&#8230; Eu num quelo que discololilai&#8230; Eu num quelo ficar velhinho&#8221; &nbsp;&#8211; o sobrinho n\u00e3o se conformava com a &#8220;Aquarela de Toquinho&#8221;&#8230; &#8220;Vamos juntos numa linda passarela de uma aquarela que um dia enfim, descololir\u00e1&#8230;&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Puqu\u00ea o pato pateta foi na panela? Puqu\u00ea, coitado? Tudo descololilai&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Quem postulara que aquele tipo de m\u00fasica era coisa de crian\u00e7a? Os coitados mal aprendiam a limpar a bunda e j\u00e1 saiam cantando descololilai, sambalel\u00ea com a cabe\u00e7a quebrada, pato na panela&#8230; Melhor conjugar palavr\u00e3o! Foda-se o radical: o que importa, no fim das contas, \u00e9 o tempo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Puqu\u00ea, Pussy? Puqu\u00ea o menino fica sem cor no futulo? Puqu\u00ea fica velinho e descolilai?<\/p>\n\n\n\n<p>Porra, pra &nbsp;que aprender a limpar o rabo se tudo sempre acaba em merda? S\u00f3 &nbsp;mais uma habilidade que se desaprende. At\u00e9 limpar a bunda um dia enfim descolilai&#8230; Fodam-se, o radical e o tempo!<\/p>\n\n\n\n<p>Tia Pussy resolveu guardar o pensamento para si, afinal, o coitado do Homem Alanha j\u00e1 estava inconformado&#8230; Imagina se descobrisse que, talvez no futulo algu\u00e9m, de fato, tivesse que limpar-lhe novamente as n\u00e1degas&#8230; &nbsp;Que os c\u00e9us a perdoassem se o sobrinho herdasse qualquer resqu\u00edcio gen\u00e9tico de sua escatologia filos\u00f3fica, ou sua &nbsp;inabilidade de limpar o pr\u00f3prio rabo. \u00c9, ela era assim&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Tiguesa, cuidado com a bompa!<\/p>\n\n\n\n<p>Pussy n\u00e3o havia entendido bem se o sobrinho referia-se \u00e0 pomba ou bomba e, no contexto, tudo poderia, afinal crian\u00e7as que nascem ao som das cat\u00e1strofes de ninar ou cantigas de roda, potencialmente n\u00e3o saberiam discernir p de b, em casos de guerra. Fosse paz ou fim do mundo, estavam no mesmo barco; ela e o Homem Alanha que, dali a pouco, seria Picat\u00e3o Gancho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5c8fe2e9deeeafb10a39a137_04x01-Img03.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>\u200dPussy sentiu-se bem na liberdade de poder confundir pomba com bomba, de esquecer que era tia e de ter ficado pra titia (com muito orgulho: antes tia do q m\u00e3e; antes tarde do que nunca; antes qualquer coisa que n\u00e3o lhe antecipasse o futulo descolilai&#8230;.)<\/p>\n\n\n\n<p>Como era bom, mais que viver, brincar!! Como havia se esquecido disso??? &#8220;I dont know why, no one have told you&#8230; how to unfold your heart &#8220;. Era, de repente, George Harrison no manejo do navio, com a frase que ela demorara tanto a entender, mas que numa tarde, um Homem Alanha explicara t\u00e3o bem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Cuidado a pomba, Tiguesaaaa!!<\/p>\n\n\n\n<p>Era mesmo a pomba que vinha voando de asas ou a bomba? Engra\u00e7ado como o tempo pode fazer uma a outra e outra a uma. Queria que o sobrinho jamais deixasse de ser o Homem Aranha; se pudesse, estaria sempre ali, tigresa, para faz\u00ea-lo lembrar que pombas jamais devem ser bombas e tempos verbais conjugam-se sem descololilii.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Tiguesa, a pomba come bichinho n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 aqui estava tudo bem: Pussy tinha sido uma tia exemplar, at\u00e9 conseguira ensinar alguns valores politicamente corretos e bl\u00e1bl\u00e1bl\u00e1&#8230; At\u00e9 que, o esp\u00edrito de porco, ou a voz do pai ou do av\u00f4 falaram mais alto e ela respondeu:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Pomba come bosta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; \u00c3h?! &#8211; o Homem Alanha fez que desacreditou, soltando um &#8220;haha&#8221; meio que desmerecendo a sapi\u00eancia &nbsp;exc\u00eantrica da tia Pussy.<\/p>\n\n\n\n<p>U\u00e9, mas pombas comiam bosta sim! O av\u00f4 tinha falado quando ela era pequena. Foi esse um dos motivos para ela desacreditar da paz. Mas, por outro lado, ela tamb\u00e9m n\u00e3o cria em bombas. O fato de saber que pombas comiam bosta n\u00e3o fazia dela uma pessoa pior!! S\u00f3 n\u00e3o podia ser m\u00e3e, mas tia&#8230; tia podia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Comem bosta, sim!<\/p>\n\n\n\n<p>E continuaram, Tiguesa e Homem Alanha, jogando a vida que passava a tarde em segundos, como se n\u00e3o houvesse de tia e sobrinho, mas como se personagens de si mesmos, aqueles que brincam a vida que cede, mais do que ao tempo, \u00e0 ludicidade dos parques de divers\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Era por volta de cinco da tarde, quando estavam, Malujo e Picat\u00e3o gancho, navegando e uma terr\u00edvel ventania come\u00e7ou a assolar o mar, fazendo-o em f\u00faria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Picat\u00e3o, vamos ter que subir, vai come\u00e7ar a tempestade! &#8211; era Pussy, o malujo, a sinalizar a hora de voltar para a casa, afinal, os pais do Homem Alanha logo chegariam e ele n\u00e3o havia nem tomado banho. Pussy era uma p\u00e9ssima tia&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o nanani nanotas. N\u00e3o vai chover nada, malujo! A gente vai ficar aqui!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Mas&#8230; Picat\u00e3o!!???<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5c8fe3899e46f1e1e2d5d3b2_04x01-Img04.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>\u200dDe fato, tal a vida imita a arte ou a arte se limita \u00e0 vida, a chuva estava para desabar e, por sorte, uma leve garoa come\u00e7ou, atestando que o marujo tinha raz\u00e3o e Pussy p\u00f4de reiterar sua argumenta\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>-Olha s\u00f3!! Vai cair o mundo!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o malujo, n\u00e3o vai! Vou ficar Aqui!!!<\/p>\n\n\n\n<p>Como n\u00e3o houvesse mais argumento, Pussy e seu esp\u00edrito de marujo porco ou porco em alto mar, como que n\u00e3o vendo outra alternativa ao afogamento, e olhando para o c\u00e9u em busca de resposta, avistando umas duas ou tr\u00eas pombas da disc\u00f3rdia, soltou:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Olha!! Bompas!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; \u00c3h?!!<\/p>\n\n\n\n<p>E como n\u00e3o querendo que o sobrinho aprendesse cedo demais a natureza violenta das bombas, transformou-as em pombas novamente:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; As pombas que comem bosta!!!<\/p>\n\n\n\n<p>E deu certo:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ah!! Socorro, malujo! Vamos, vamos!<\/p>\n\n\n\n<p>O argumento das pombas que comiam bosta funcionara. Se a humanidade soubesse usar as pombas ao inv\u00e9s das bombas (mesmo aquelas que comem bosta), o mundo seria muito diferente!<\/p>\n\n\n\n<p>E foram em dire\u00e7\u00e3o ao elevador de servi\u00e7o do pr\u00e9dio, Tiguesa e Homem Alanha, bola embaixo do bra\u00e7o e hist\u00f3rias pra contar.<\/p>\n\n\n\n<p>Encontraram companhia no elevador.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Oi!! Eu sou o Homem Alanha!!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Pussy riu, tia orgulhosa, \u00e0 fam\u00edlia de estranhos que dividia com eles o elevador. Pareciam descontentes: pai, m\u00e3e e filhos. Ou talvez fosse s\u00f3 impress\u00e3o, s\u00f3 o contraste entre aquela tarde ensolarada pelo Homem Alanha e o elevador de servi\u00e7o que transportava as pessoas que j\u00e1 haviam perdido seus super poderes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Oi, Homem Aranha&#8230; Tudo bem?- quem puxou conversa foi o pai; a m\u00e3e parecia reclusa em pensamentos, menos tiguesa, mais decorativa, ao lado dos dois filhos que seguiam em sil\u00eancio, aparentemente mais velhos que o sobrinho. E mais descololilai tamb\u00e9m&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Eu t\u00f4 voltando pa minha casa puqu\u00ea&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Pussy tiguesa, como que prevendo a tempestade, cololiu-se de roxo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Por qu\u00ea, meu bem? &#8211; dessa vez foi a m\u00e3e de mau humor quem deu uma brecha para &nbsp;a conversa do Picat\u00e3o Homem Alanha.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Puqu\u00ea a pomba que come bosta vai pegar a gente e&#8230; e vai comer a minha cabe\u00e7a, meu nariz, meu cabelo e vou ficar caleca.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5c8fe3e89e46f110d7d5d429_04x01-Img05.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Bomba!!<\/p>\n\n\n\n<p>Puta que pariu! Era uma p\u00e9ssima tia! Exceto pela parte da carnificina! De onde o sobrinho tirara aquilo!!?? E ela tentando minimizar a viol\u00eancia das bombas, trocando-as por pombas; trocando os p\u00e9s pelas m\u00e3os, e por qualquer possibilidade de ser m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; O qu\u00ea??!!!<\/p>\n\n\n\n<p>A mulher espantou-se e, talvez apenas para cutucar (o clima ali n\u00e3o era mesmo dos melhores), o pai riu-se, endossando &nbsp;a mesma tempestade das pombas de bosta.<\/p>\n\n\n\n<p>Pussy queria ficar brava, muito brava, mas n\u00e3o aguentou; come\u00e7ou a gargalhar, roxa mesmo. J\u00e1 estava velha demais para n\u00e3o perder a vergonha na cara.<\/p>\n\n\n\n<p>E o Homem Aranha apontava para ela com veem\u00eancia. Tia Pussy intimidou-se, mas no fundo, nem t\u00e3o fundo assim, orgulhou-se dele! Era seu sobrinho mesmo!!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Foi sim, voc\u00ea que falou, tia Pussy!! Voc\u00ea, Malujo!<\/p>\n\n\n\n<p>Por sorte o elevador parou no nono andar, o destino da fam\u00edlia: pai m\u00e3e e dois filhos, aparentemente divididos entre indignados e regozijados com a revela\u00e7\u00e3o cruel do menino Homem Aranha: as pombas comiam bosta&#8230; Talvez todos com\u00eassemos, de um modo ou de outro. E \u00e9 por isso as crian\u00e7as deviam ter mais tias. Ou talvez n\u00e3o&#8230; Talvez s\u00f3 mais pombas devessem comer bosta nas tardes de marujo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais alguns andares e chegaram em casa, Pussy tiguesa e o Picat\u00e3o Gancho dedo-dulo.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida era, no fim, muito simples.<\/p>\n\n\n\n<p>Fim!!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-pale-pink-color has-alpha-channel-opacity has-pale-pink-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<p>\u200d<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De certo, seria um tremendo desafio&#8230; N\u00e3o pelo fato de nutrir qualquer esperan\u00e7a de que pudesse realizar a tarefa (sabia ser completamente desqualificada). O desafio reca\u00eda pura e simplesmente na tentativa angustiante de n\u00e3o frustrar as expectativas alheias. N\u00e3o que ligasse muito comumente para expectativas alheias (era uma puta ego\u00edsta). Ou ser\u00e1 que ligava? 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