{"id":1772,"date":"2022-04-18T15:17:12","date_gmt":"2022-04-18T18:17:12","guid":{"rendered":"http:\/\/fernandabellicieri.com\/o-subtexto-e-os-contextos-de-corpo-texto\/"},"modified":"2022-09-10T16:12:16","modified_gmt":"2022-09-10T19:12:16","slug":"o-subtexto-e-os-contextos-de-corpo-texto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/o-subtexto-e-os-contextos-de-corpo-texto\/","title":{"rendered":"Sobre a experi\u00eancia do corpo-texto: subtexto e contextos"},"content":{"rendered":"<p>Corpo Texto&#8230; Texto Corpo. Transi\u00e7\u00e3o constante, encontrando, no inconstante, a consist\u00eancia.<\/p>\n<p>Um espa\u00e7o virtual que nasce da necessidade real, mais que apenas vontade, de expressar-se e expor conte\u00fado autoral produzido a partir da lida reflexiva com as diferentes linguagens. Pesquisa em produ\u00e7\u00e3o. Produ\u00e7\u00e3o mediante pesquisa.<\/p>\n<p>O intuito \u00e9 tamb\u00e9m confrontar-se: com a pr\u00f3pria imagem, argumentos e ideais. Encarar-se met\u00e1fora em movimento, &nbsp;um an\u00f4nimo hom\u00f4nimo do &#8220;perder-se &nbsp;para reencontrar-se&#8221;: &nbsp;ilustrador do mundo. Artista e sujeito de express\u00e3o. Tanto mais leg\u00edtimo \u00e0 medida que exposto a um espelho capaz de retornar um si refletido um outro, transformado. N\u00e3o \u00e9 essa a alma da Pesquisa? Da Arte?<\/p>\n<p>Assim, num \u00edmpeto de legitimar-me autoral; dessas coisas que, se n\u00e3o tomamos conta, o cotidiano das m\u00e9dias e normalidades trancafia, transitar entre Corpo-Texto surge projeto de vida. Uma p\u00e1gina em branco de existir Fernanda e n\u00e3o: conhecer-desconhec\u00ea-la para reconhec\u00ea-la\u2026<\/p>\n<p>Aquela que se rende e se vende \u00e0 pr\u00f3pria alma, \u00e0s pr\u00f3prias e outras dores e espinhos, e tenta resgat\u00e1-los, condensando-os de pincel-caneta- salto-grito-palavra, antes que decantem e que se perca a infinitude que lhes transpassa. Aquela que, de qualquer instant\u00e2neo &#8211; instante, pode fazer morrer-nascer todas as coisas que, suas ou emprestadas, j\u00e1 suas e suas.<\/p>\n<p>Ah, essa paix\u00e3o obsessiva pelas tantas escritas e suas estranhas entranhas que metem ao avesso corpo, voz e calma&#8230; Acompanha-me desde o sempre: de quando lembro observar, protegida, menina de janela autom\u00f3vel, as vidas tristes das pessoas de l\u00e1 fora; sob viadutos e lixo, adornando sorrisos doentes e cheiro-asfalto cru, de fim de domingo. De quando lembro tentar atravessar-lhes os olhos, bem ali, da minha janela; quando lembro de tentar capturar-lhes as almas. Por um instante, conseguia.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o podia voltar, quase inc\u00f3lume, Fernanda das janelas autom\u00f3veis; como se nem lhes houvesse roubado o tanto da vida que escapava: pelos poros, olhos e vitr\u00f4s, nas ruas de idas e vindas dos percursos de um domingo. Mas a menina n\u00e3o queria apenas roub\u00e1-los: socorr\u00ea-los. Viver todos, e faz\u00ea-los nunca precisar morrer. Nem sofrer\u2026 A menina era uma alma boa.<\/p>\n<p>No fundo, mesmo sem saber o que fazia, guardando os segredos daquela gente que me deixava habitar, tinha certeza de que um dia, talvez n\u00e3o tarde, voltariam para buscar, de mim, seus instantes. E eu, menina ou n\u00e3o mais (que n\u00e3o se pode medir em tempo essas d\u00edvidas), deveria t\u00ea-los todos, bem aqui, como meus, em suas dores ou alegrias. Deveria oferecer-lhes corpo e texto, minhas-nossas palavras. Em cura, homenagem, respeito e compaix\u00e3o.<\/p>\n<p>Sim, a menina era uma alma boa: sabia que guardaria com carinho, cada sonho perdido ou sorriso desencantado daquela gente que lhe dera a alma \u00e0 alma. E sabia que voltariam, cedo ou tarde, para buscar a vida sob forma de cena, palavra, dan\u00e7a, l\u00e1grima. Tudo novo e redesenhado. E aqueles uma vez roubados, reconheceriam-se em cada letra, ponto e n\u00f3, na garganta, nas entranhas, nas estranhas maneiras que a menina encontrava de amar a todos aqueles que, doando-se em dores e amores, nem percebiam o quanto a faziam crescer. A menina era uma alma boa, um corpo-texto de dar vida a quem quisesse crer que tudo sempre se transforma e liberta.<\/p>\n<p>\u00c9 dessa arte, de doer doar-se, de que falo. E \u00e9 sem essa que n\u00e3o posso existir: nem Fernanda, nem menina de alma boa. Sem essa parte n\u00e3o me posso permitir.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, s\u00f3 resta derramar-me, daqueles de quem emprestei cada instante capturado que me habita, entregando-me a essa esp\u00e9cie de sacerd\u00f3cio apaixonante de criar e reinventar historias, e s\u00ea-las todas, como s\u00ealos meus, como corpo e pre -texto de minha pr\u00f3pria exist\u00eancia. \u00c9, Wilton Azevedo, sempre teve raz\u00e3o: artista n\u00e3o pode ser profiss\u00e3o; \u00e9 sacerd\u00f3cio&#8230;<\/p>\n<p>Fernanda? N\u00e3o mais\u2026<br \/>\nN\u00e3o me preciso\u2026 As almas que sabem ser d\u00f3ceis s\u00e3o imprecisas.<\/p>\n<p>Essa experi\u00eancia visceral com a express\u00e3o via linguagem que, posteriormente, vim a denominar a experi\u00eancia do Corpo Texto, transformou-se em tese doutoral auto-etnogr\u00e1fica e guia minha pesquisa em \u00e2mbito acad\u00eamico. Creio, &nbsp;como pesquisadora, que o autoral deva ser reconhecido e valorizado, sobretudo no \u00e2mbito de estudos da linguagem. Ent\u00e3o, como ve\u00edculo e assun\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e da pesquisa, autorais, Corpo Texto transformou-se nessa plataforma, que busca incitar \u00e0 discuss\u00e3o, experimenta\u00e7\u00e3o, exibi\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas, reflex\u00f5es e conceitos que envolvem os processos criativos relacionados a Corpo, Texto e Performance como ve\u00edculos de humanidade..<\/p>\n<p>Por hora, &nbsp;finalizo, descobrindo que Corpo-Texto nasce como o que, talvez e acima de tudo, a menina buscasse quando roubava sonhos ou desesperan\u00e7as em seus percursos de volta para casa: um pretexto para criar la\u00e7os em n\u00f3s. Um subtexto, hoje, expandido \u00e0 miss\u00e3o de coligar parceiros cuja principal mat\u00e9ria-prima de trabalho, ou dom, seja a insaci\u00e1vel voracidade de exercerem-se autorais, um e de muitos\u2026<\/p>\n<p>Finalizo, sempre recome\u00e7ando: n\u00e3o \u00e9 que a menina era, de fato, uma alma boa?<\/p>\n<p>\u200d<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corpo Texto&#8230; Texto Corpo. Transi\u00e7\u00e3o constante, encontrando, no inconstante, a consist\u00eancia. Um espa\u00e7o virtual que nasce da necessidade real, mais que apenas vontade, de expressar-se e expor conte\u00fado autoral produzido a partir da lida reflexiva com as diferentes linguagens. Pesquisa em produ\u00e7\u00e3o. Produ\u00e7\u00e3o mediante pesquisa. O intuito \u00e9 tamb\u00e9m confrontar-se: com a pr\u00f3pria imagem, argumentos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1878,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"Corpo Texto... Texto Corpo. Transi\u00e7\u00e3o constante, encontrando, no inconstante, a consist\u00eancia.\n\nUm espa\u00e7o virtual que nasce da necessidade real, mais que apenas vontade, de expressar-se e expor conte\u00fado autoral produzido a partir da lida reflexiva com as diferentes linguagens. Pesquisa em produ\u00e7\u00e3o. Produ\u00e7\u00e3o mediante pesquisa.\n\nO intuito \u00e9 tamb\u00e9m confrontar-se: com a pr\u00f3pria imagem, argumentos e ideais. Encarar-se met\u00e1fora em movimento, \u00a0um an\u00f4nimo hom\u00f4nimo do \"perder-se \u00a0para reencontrar-se\": \u00a0ilustrador do mundo. Artista e sujeito de express\u00e3o. Tanto mais leg\u00edtimo \u00e0 medida que exposto a um espelho capaz de retornar um si refletido um outro, transformado. N\u00e3o \u00e9 essa a alma da Pesquisa? Da Arte?\n\nAssim, num \u00edmpeto de legitimar-me autoral; dessas coisas que, se n\u00e3o tomamos conta, o cotidiano das m\u00e9dias e normalidades trancafia, transitar entre Corpo-Texto surge projeto de vida. Uma p\u00e1gina em branco de existir Fernanda e n\u00e3o: conhecer-desconhec\u00ea-la para reconhec\u00ea-la\u2026\n\nAquela que se rende e se vende \u00e0 pr\u00f3pria alma, \u00e0s pr\u00f3prias e outras dores e espinhos, e tenta resgat\u00e1-los, condensando-os de pincel-caneta- salto-grito-palavra, antes que decantem e que se perca a infinitude que lhes transpassa. Aquela que, de qualquer instant\u00e2neo - instante, pode fazer morrer-nascer todas as coisas que, suas ou emprestadas, j\u00e1 suas e suas.\n\nAh, essa paix\u00e3o obsessiva pelas tantas escritas e suas estranhas entranhas que metem ao avesso corpo, voz e calma... Acompanha-me desde o sempre: de quando lembro observar, protegida, menina de janela autom\u00f3vel, as vidas tristes das pessoas de l\u00e1 fora; sob viadutos e lixo, adornando sorrisos doentes e cheiro-asfalto cru, de fim de domingo. De quando lembro tentar atravessar-lhes os olhos, bem ali, da minha janela; quando lembro de tentar capturar-lhes as almas. Por um instante, conseguia.\n\nEnt\u00e3o podia voltar, quase inc\u00f3lume, Fernanda das janelas autom\u00f3veis; como se nem lhes houvesse roubado o tanto da vida que escapava: pelos poros, olhos e vitr\u00f4s, nas ruas de idas e vindas dos percursos de um domingo. Mas a menina n\u00e3o queria apenas roub\u00e1-los: socorr\u00ea-los. Viver todos, e faz\u00ea-los nunca precisar morrer. Nem sofrer\u2026 A menina era uma alma boa.\n\nNo fundo, mesmo sem saber o que fazia, guardando os segredos daquela gente que me deixava habitar, tinha certeza de que um dia, talvez n\u00e3o tarde, voltariam para buscar, de mim, seus instantes. E eu, menina ou n\u00e3o mais (que n\u00e3o se pode medir em tempo essas d\u00edvidas), deveria t\u00ea-los todos, bem aqui, como meus, em suas dores ou alegrias. Deveria oferecer-lhes corpo e texto, minhas-nossas palavras. Em cura, homenagem, respeito e compaix\u00e3o.\n\nSim, a menina era uma alma boa: sabia que guardaria com carinho, cada sonho perdido ou sorriso desencantado daquela gente que lhe dera a alma \u00e0 alma. E sabia que voltariam, cedo ou tarde, para buscar a vida sob forma de cena, palavra, dan\u00e7a, l\u00e1grima. Tudo novo e redesenhado. E aqueles uma vez roubados, reconheceriam-se em cada letra, ponto e n\u00f3, na garganta, nas entranhas, nas estranhas maneiras que a menina encontrava de amar a todos aqueles que, doando-se em dores e amores, nem percebiam o quanto a faziam crescer. A menina era uma alma boa, um corpo-texto de dar vida a quem quisesse crer que tudo sempre se transforma e liberta.\n\n\u00c9 dessa arte, de doer doar-se, de que falo. E \u00e9 sem essa que n\u00e3o posso existir: nem Fernanda, nem menina de alma boa. Sem essa parte n\u00e3o me posso permitir.\n\nEnt\u00e3o, s\u00f3 resta derramar-me, daqueles de quem emprestei cada instante capturado que me habita, entregando-me a essa esp\u00e9cie de sacerd\u00f3cio apaixonante de criar e reinventar historias, e s\u00ea-las todas, como s\u00ealos meus, como corpo e pre -texto de minha pr\u00f3pria exist\u00eancia. \u00c9, Wilton Azevedo, sempre teve raz\u00e3o: artista n\u00e3o pode ser profiss\u00e3o; \u00e9 sacerd\u00f3cio...\n\nFernanda? N\u00e3o mais\u2026\nN\u00e3o me preciso\u2026 As almas que sabem ser d\u00f3ceis s\u00e3o imprecisas.\n\nEssa experi\u00eancia visceral com a express\u00e3o via linguagem que, posteriormente, vim a denominar a experi\u00eancia do Corpo Texto, transformou-se em tese doutoral auto-etnogr\u00e1fica e guia minha pesquisa em \u00e2mbito acad\u00eamico. Creio, \u00a0como pesquisadora, que o autoral deva ser reconhecido e valorizado, sobretudo no \u00e2mbito de estudos da linguagem. Ent\u00e3o, como ve\u00edculo e assun\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e da pesquisa, autorais, Corpo Texto transformou-se nessa plataforma, que busca incitar \u00e0 discuss\u00e3o, experimenta\u00e7\u00e3o, exibi\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas, reflex\u00f5es e conceitos que envolvem os processos criativos relacionados a Corpo, Texto e Performance como ve\u00edculos de humanidade..\n\nPor hora, \u00a0finalizo, descobrindo que Corpo-Texto nasce como o que, talvez e acima de tudo, a menina buscasse quando roubava sonhos ou desesperan\u00e7as em seus percursos de volta para casa: um pretexto para criar la\u00e7os em n\u00f3s. Um subtexto, hoje, expandido \u00e0 miss\u00e3o de coligar parceiros cuja principal mat\u00e9ria-prima de trabalho, ou dom, seja a insaci\u00e1vel voracidade de exercerem-se autorais, um e de muitos\u2026\n\nFinalizo, sempre recome\u00e7ando: n\u00e3o \u00e9 que a menina era, de fato, uma alma boa?\n\n\u200d","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-1772","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-corpo-texto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1772","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1772"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1772\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1772"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1772"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1772"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}