{"id":1543,"date":"2022-04-18T13:38:09","date_gmt":"2022-04-18T16:38:09","guid":{"rendered":"http:\/\/fernandabellicieri.com\/bowbow-bow-bow-bow\/"},"modified":"2022-08-27T18:10:59","modified_gmt":"2022-08-27T21:10:59","slug":"bowbow-bow-bow-bow","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/bowbow-bow-bow-bow\/","title":{"rendered":"BowBow&#8230; Bow&#8230; Bow&#8230;&#8230;..Bow"},"content":{"rendered":"<p>Bow, bow, bow&#8230; Era batalh\u00e3o&#8230; De um marchar incessante, bombardeioaos ouvidos. As linhas amarelas de batalha, paralelas, transversais, desenhavamo palco c\u00eanico-sonoro, pontilhado de sons estridentes de atrito-borracha,perfurando o espa\u00e7o que, pouco a pouco, furtado quase totalmente de seus vazios.<\/p>\n<p>Bow, bow, bowww. Borracha. Boraaacha. Boorrachaaa.<\/p>\n<p>Sinfonia rabiscada, misturando s\u00edlabas sonoras que quasedeclarativas, letras, palavras, inteiras frases: tra\u00e7o, ponto, salto, pisa,passo, borracha, passe, al\u00e7a, lan\u00e7a, bow, pinga, pula, quica, corre. Borracha eBow! Bow rracha! Bowww&#8230;. Bowwww&#8230; Booww.<\/p>\n<p>Um tra\u00e7o, um ponto, uma linha, borracha, escreve-apaga, costura,traceja, traqueja, pula, vai, grito, fura, corre, corta, pega, manda, bow, bow!Ponto! Palma! Palmas! Bola! Bala! Cuidado!!!!<\/p>\n<p>Boww!!!<\/p>\n<p>Se pudesse fechar os olhos, ignorando o aviso &#8220;Cuidado!!Bola!&#8221; e atentar apenas \u00e0 sinfonia das borrachas&#8230; Se pudesse calar por um momento o estado alerta do peito oco quase-sempre, que n\u00e3o peito, s\u00f3 cabe\u00e7a de &#8220;Cuidado, bola!&#8221;&#8230; Se pudesse esquecer de Newton e os trajetos retil\u00edneos calculados ou deixar de lado a in\u00e9rcia do banco de reserva e as reservas amalgamadas de medo, derivadas de n\u00e3o a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00e3o&#8230; Se pudesse desligar-se do banco das reservas e do tempo em toda sua lei&#8230; Se s\u00f3 pudesse ouvir a sinfonia de borracha, tinha certeza que a encontraria ali: a quadra do sempre, indel\u00e9vel e ensurdecedora, escrita de bola borracha e bow!<\/p>\n<p>Se pudesse fechar os olhos \u00e0s amea\u00e7as de bala-bola, b\u00f3lido, que vinha e viria de qualquer lado, atac\u00e1-la com as certezas de que borrachas se apagam e j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o as mesmas as borrachas de sola de t\u00eanis.<\/p>\n<p>Cuidado! Bola!<\/p>\n<p>As solas de t\u00eanis de quadra de borracha n\u00e3o existem mais&#8230;.Mas aquele som&#8230; A sinfonia de borracha que n\u00e3o se apaga. Aquela sinfonia que lhe tomava em peito, pouco ligava aos cuidados que teria que ter com os b\u00f3lidos ou as borrachas de apagar hist\u00f3rias. Seu t\u00eanis tamb\u00e9m era borracha e sabia ter escrito cada linha daquela quadra. E se fosse o mesmo t\u00eanis?<\/p>\n<p>A sinfonia das borrachas Bow bow bow e ela quase podia ter certeza de ter escrito as linhas da quadra, em amarelo , branco, azul e cor de peito de borracha viva. Borracha \u00e9 de carne? Aquela era&#8230; Como era do\u00edda.<\/p>\n<p>Pula, vai!1, 2, 3 arremessa! Vai!<\/p>\n<p>Arremessa vai!! Era o canto das borrachas, o canto vivo do peito que ficou escuro escuro de linhas coloridas. Tantas linhas coloridas, dos trajetos de borracha, desenhados de sola e bola, tanto o tempo&#8230; Todo o tempo as borrachas estavam cantando no peito e ela, ali, fingindo-se reserva, ou reservando-se a fingir doer um peito que nem tinha, que n\u00e3o lhe pertencia: era de borracha. Duro e t\u00e3o assertivo. Um peito que no fundo, n\u00e3o tinha reserva.Era aberto ao desenho do tempo que contava , indel\u00e9vel de borracha. El\u00e1stico, seguro, senhor de si. Seu peito era do tempo, e fazia tempo ela nem mais lembrava. Mas e o marcador?<\/p>\n<p>Arremessa vai!! Lan\u00e7a m\u00e3o de lance livre e d\u00e1 passagem \u00e0s linhas de destino que t\u00e3o cedo, voc\u00ea menina, tentou desenhar. E desenhou! Mesmo tendo crescido \u00a0e desdenhado do tempo que n\u00e3o passou, ficou s\u00f3 ali, esperando, na reserva, que voc\u00ea ouvisse as notas de borracha e reconhecesse ali, no ch\u00e3o da quadra, o pr\u00f3prio peito.Inexor\u00e1vel, deitado de listras em toda quadra de caminho a toda sorte de jogadas, na quadra de borracha.<\/p>\n<p>Bow Bow Bow<\/p>\n<p>Arremessa vai! Como? Como p\u00f4de ter apagado a sola-saudade do t\u00eanis voador? V\u00ea! Olha a\u00ed! \u00c9 o mesmo! Ouve s\u00f3 a quadra de borracha e sal, que arde a sola.E assola qualquer reserva&#8230; Assalta o peito b\u00f3lido! Se lan\u00e7a, vai!<\/p>\n<p>Bow bow bow<\/p>\n<p>Mas era a bola ou era o peito? Era a bala ou o tiro!? Qual a borracha?<\/p>\n<p>Arremessa vai! A quadra \u00e9 colorida! Ainda \u00e9 colorida!!<\/p>\n<p>E corre! Olha o tempo marcador! \u00a0A bola \u00e9 bala e bate bow! Pisa! Borracha: 1,2, 3 passa la\u00e7a ca\u00e7a ta\u00e7a ra\u00e7a<\/p>\n<p>Corre! Olha o tempo: marca a dor!<\/p>\n<p>Marca, e dor! Ent\u00e3o corre da reserva , usa o tempo de borracha que vai e volta e lan\u00e7a! \u00a0Se espada o peito batedor!<\/p>\n<p>Falta! Falta e falta pouco&#8230; Falta nada<\/p>\n<p>Olha o tempo de borracha que assola e corre a bola que a sola pode durar s\u00f3 segundos e de bola em bola de passe em passo do tempo que era todo, se desfaz<\/p>\n<p>Cuidado! Corre a bola Bow<\/p>\n<p>E foi em assalto \u00e0 sinfonia das borrachas, \u00a0arriscando a risco um desenho novo-velho que tinha certeza j\u00e1 estava l\u00e1. Foi num salto do peito, um p\u00e1ra-peito de borracha, que a menina dos p\u00e9s que n\u00e3o cresciam, s\u00f3 mudavam de tamanho e nem de sola.. a menina dos p\u00e9s de borracha, s\u00f3 solida, b\u00f3lida, g\u00e9lida, em um gesto que n\u00e3o foi s\u00f3 seu mas de cada batida bow do cora\u00e7\u00e3o da quadra de borracha que n\u00e3o se apagava, cada batida bala que lhe perfurava o cora\u00e7\u00e3o do t\u00eanis de inf\u00e2ncia, que era o mesmo que riscava e arriscava cada passo fora-dentro das linhas de amarelo-azul-vermelho&#8230; a menina correu os olhos fora da reserva, em \u00a0dire\u00e7\u00e3o ao bow da bola que vinha b\u00f3lido transform\u00e1-la alvo no banco que s\u00f3 fazia sentido ressentido e que no fundo queria que ela saltasse, t\u00e3o alto quanto o tempo marcador, e arriscasse caminhar inventada uma quadra riscada do seu trajeto invis\u00edvel, que tinha certeza, estava l\u00e1 e lhe pertencia, bem ali: \u00a0no risque rabisque da sola menina do sapato de voar&#8230; O banco de reserva j\u00e1 sabia..<\/p>\n<p>Cabe\u00e7a!!! Cuidado!!<\/p>\n<p>E a menina perdeu a cabe\u00e7a antes que a bala bola tocasse-lhe a caixa-cr\u00e2nio das reservas. A bala bola lan\u00e7ada do tempo marcador tocara-lhe a alma que era da mesma m\u00fasica das borrachas: Bow bow bow<\/p>\n<p>A menina agarrou a bola-bala com uma sua \u00faltima esperan\u00e7a, de um \u00faltimo lance, de uma \u00faltima chance de vencer o marcador, j\u00e1 esgotado, resgatado das mem\u00f3rias de um tempo que olha s\u00f3&#8230; sempre esteve l\u00e1 no bow bow bow da quadra que ela j\u00e1 havia desenhado de destino. Como p\u00f4de esquecer? O marcador esgotado de todo o tempo ter tentado avisar, agora , o marcador s\u00f3 podia torcer.<\/p>\n<p>Arremessa vai!<\/p>\n<p>Olhou o marcador! Era ele quem ordenava: arremessa vai!! Era o tempo, ap\u00f3s tanto n\u00e3o tempo, era o tempo quem dava espa\u00e7o para que ela BOWBOW BOW<\/p>\n<p>Olhou o marcador e o tempo contava zero, tentando faz\u00ea-la entender que nunca existira o fim do jogo.<\/p>\n<p>O marcador convencera-se h\u00e1 tempos e a tempo, de que ela j\u00e1 havia vencido: porque estava escrito bem ali, nas linhas de borracha da sola de seu t\u00eanis que n\u00e3o crescera, mas de um tanto, por acreditar que existia um tempo, encolhera-se, acuado no banco de reserva.<\/p>\n<p>N\u00e3o! Nenhuma reserva! Reserva de que? O tempo corria agora, zero, corria agora, borracha, indicando que n\u00e3o havia in\u00edcios ou finais de partida, apenas o sempre movimento, que ela dali daquele bow de bola e bala e peito e sola e cala e grita e bow.. daquele bow bow bow, o tempo corria agora ela devia arremessar-se.<\/p>\n<p>Tinha sido a sinfonia de borracha da bola, a bola no peito, abala, a cola na garganta, a sola, o n\u00f3 que a amarrava \u00e0 quadra e as borrachas indel\u00e9veis, ao tempo n\u00e3o tempo que marcava o marcador, e mancava, do mesmo p\u00e9 que sua sola que acreditava serem, as linhas da quadra feitas para deixarem de existir. O mesmo tempo que n\u00e3o tempo, ela devia descobrir, era feito de existir e resistir, re-existir, de insistir de revestir: o tempo de borracha.<\/p>\n<p>Tomou a bola que era o peito, o peito todo \u00a0de cada uma delas que ela mesma tracejara havia tanto tempo n\u00e3o-tempo na quadra n\u00e3o quadra, naquele jogo&#8230; S\u00f3 jogo: o marcador gritava que a vida n\u00e3o era feita de derrotas&#8230; S\u00f3 jogo.<\/p>\n<p>Tomou a bola das m\u00e3os do tempo, em uma lance memor\u00e1vel, desses que nunca deixam de existir porque feitos do que se deve ser sempre, sem reservas&#8230; \u00a0Olhou o marcador, que sorria. Tombou o peito em arremesso. Jogou a bola assim, a quem quisesse tom\u00e1-la, em dire\u00e7\u00e3o ao tempo desenganado, desacreditado e absolutamente satisfeito: ela entendera, por fim, a o indel\u00e9vel de inventar o tempo.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m pegou a bola, a bala, a cola, o n\u00f3 da garganta que grudou no peito e ali ficou, escrito nas linhas da quadra de borracha.<\/p>\n<p>Um apito trouxe-a de volta \u00e0 sola encolhida, ao banco de reserva, ao futuro e ao passado que, de presente coubera em um relance marcador, e lhe dera o tempo na palma da m\u00e3o.<\/p>\n<p>Arremessa vai!<\/p>\n<p>Olhou o marcador&#8230; O marcador sorria, e sorria&#8230; Desde o come\u00e7o, reconhecera-lhe a sola de borracha. Podia dizer sem reservas que eram da mesma esp\u00e9cie, da mesma cola de lan\u00e7ar-se. A mo\u00e7a que menina da sola e s\u00f3, de bala e bola, j\u00e1 sabia de que era feito seu peito. Sim: era e tinha sido, em tempo, todo o tempo, de borracha.<\/p>\n<p>Bow bow bow<\/p>\n<p>\u200d<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bow, bow, bow&#8230; Era batalh\u00e3o&#8230; De um marchar incessante, bombardeioaos ouvidos. As linhas amarelas de batalha, paralelas, transversais, desenhavamo palco c\u00eanico-sonoro, pontilhado de sons estridentes de atrito-borracha,perfurando o espa\u00e7o que, pouco a pouco, furtado quase totalmente de seus vazios. Bow, bow, bowww. Borracha. Boraaacha. Boorrachaaa. 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