{"id":1130,"date":"2022-04-12T19:24:30","date_gmt":"2022-04-12T22:24:30","guid":{"rendered":"http:\/\/fernandabellicieri.com\/esparta-atenas-espartilho-e-aspartame-ii\/"},"modified":"2025-07-21T16:56:06","modified_gmt":"2025-07-21T19:56:06","slug":"esparta-atenas-espartilho-e-aspartame-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/esparta-atenas-espartilho-e-aspartame-ii\/","title":{"rendered":"Esparta, Atenas, espartilho e aspartame II"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section admin_label=&#8221;section&#8221;]<br \/>\n\t\t\t[et_pb_row admin_label=&#8221;row&#8221;]<br \/>\n\t\t\t\t[et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text admin_label=&#8221;Text&#8221;]Fui uma gordinha feliz, por op\u00e7\u00e3o, at\u00e9 os 13 anos, quando decidi que estava na hora de mostrar ao mundo e esfregar na cara da Barbie que eu podia, sim, usar cal\u00e7a jeans! Quem ela pensava que era?!<\/p>\n<p>Lembro da fat\u00eddica noite: algu\u00e9m deve ter me chamado de gorda, assinado seu bullying costumeiro na minha testa. Cheguei em casa domingo \u00e0 noite (sempre odiei os programas da Rede Globo&#8230;Fant\u00e1stico&#8230; urghhh), abri a geladeira para esfriar a cabe\u00e7a e dei de cara com os enroladinhos de goiabada da vov\u00f3 L\u00fa&#8230; Os enroladinhos mais perfeitos e desafiadores da minha vida.<\/p>\n<p>Barbie-enroladinho; Barbie-enroladinho; Barbie-enroladinho&#8230;<\/p>\n<p>Escolhi:Barbie!<\/p>\n<p>O tempo parou, rufaram tambores e est\u00f4mago; e eu, bravamente, fechei a porta da geladeira como quem sela um pacto! Travei dentes e fui dormir tendo pesadelos com aquele doce de goiaba. Foi a minha primeira vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, comecei uma dieta emp\u00edrica, baseada mais ou menos nas outras dietas que j\u00e1 havia feito (as dietas s\u00e9rias, n\u00e3o as dementes como aquela do presunto e ovo, a l\u00edquida, a da melancia, da \u00e1gua e da sopa de sals\u00e3o).<\/p>\n<p>Acabei com a maioria do carboidrato complexo, p\u00e3es e massas (o que, depois, descobri ter sido uma bobagem) e com a\u00e7\u00facares, frituras. Ficaram os queijos, cereal, frutas, legumes e saladas.<\/p>\n<p>A Barbie nazi-fascista estava disciplinando a gordinha descarada. Nessa hora entraram em cena os exerc\u00edcios f\u00edsicos para aumentar o gasto cal\u00f3rico. Nunca fui uma crian\u00e7a sedent\u00e1ria: fazia jazz, nata\u00e7\u00e3o, handball, mas absolutamente descompromissada do objetivo de emagrecimento, sem a consci\u00eancia alimentar que ent\u00e3o, estava come\u00e7ando a desenvolver, ainda que dentro de muitos equ\u00edvocos desnecess\u00e1rios.Uma pena que \u00e0 \u00e9poca a nutri\u00e7\u00e3o especializada ainda era pouco difundida.<\/p>\n<p>Comecei a treinar em casa, sozinha, por 1 hora, com \u00eanfase em treino aer\u00f3bico, espelhando-me na Mamma. E o resultado, de fato, veio. Foram 2 anos, em m\u00e9dia, e 35 quilos a menos na balan\u00e7a.<\/p>\n<p>A dieta? Continuou a mesma, restritiva em alguns muitos itens, mas equilibrada. N\u00e3o consegui retornar aos doces, frituras e aos industrializados, em geral. Foi um per\u00edodo interessante porque comecei a cozinhar para mim e a ter uma no\u00e7\u00e3o muito ampla da utiliza\u00e7\u00e3o dos alimentos <em>in natura<\/em>.<\/p>\n<p>No entanto, sem orienta\u00e7\u00e3o, e com um certo pavor de voltar aos 83Kg, sem entendera l\u00f3gica matem\u00e1tica das dietas (e dieta \u00e9 s\u00f3 isso &#8211; matem\u00e1tica), aos 16 anos, acabei chegando aos 48 quilos, completamente desproporcionais em rela\u00e7\u00e3o aos1,75 m de altura.<\/p>\n<p>Na verdade, a perda de peso foi fruto de um breve per\u00edodo turbulento: tinha que escolher\u00a0 oque queria ser quando crescesse. Sempre tive inclina\u00e7\u00e3o para todas as \u00e1reas, mas queria ser artista e, ao mesmo tempo, estudar n\u00fameros, ossos, qu\u00edmica&#8230; Queria ser atriz e cientista&#8230;<\/p>\n<p>Como uma adolescente em busca de rumo e tamb\u00e9m de auto-aprova\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da minha baixa autoestima causada pelo estigma de ter sido gorda, fui contaminada, presa f\u00e1cil, pela febre da moda nos anos 90: decidi entre atriz e cientista, tornaria-me modelo&#8230;<\/p>\n<figure class=\"w-richtext-figure-type-image w-richtext-align-center\" data-rt-type=\"image\" data-rt-align=\"center\">\n<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5e7d375e669e120cbc69d9ab_5dcee56e09aeed6d7b7e548c_PUSSY%20PARA%20CANDIDATA.jpg\" \/><\/div>\n<\/figure>\n<p>Na verdade, uma menina que estava querendo provar ao mundo que podia, sim, ser oficialmente bonita. Absurdo&#8230; e tinha consci\u00eancia disso \u00e0 \u00e9poca, mas a vingan\u00e7a soou mais alto e aos 16 anos e 48 quilos, estava magra e horr\u00edvel. Sentia saudades da gordinha feliz. Ah, a minha scachiatta di cipola&#8230;<\/p>\n<p>Os poucos meses vivendo a rotina f\u00fatil de frustra\u00e7\u00f5es dos bastidores de algumas ag\u00eancias de modelo que inspecionam cent\u00edmetros de quadril, largura do nariz e dist\u00e2ncia entre os dedos do p\u00e9, como quem qualifica rebanho, praticamente catapultaram-me \u00e0 faculdade.<\/p>\n<p>O que levei na bagagem dessa \u00e9poca? Um profundo senso de inadequa\u00e7\u00e3o, compat\u00edvel ou pior que aquele da gordinha de inf\u00e2ncia, e uma p\u00e9ssima sensa\u00e7\u00e3o de que aos 20 anos j\u00e1 seria velha, no sentido mais pejorativo da palavra.<\/p>\n<p>Sempre me senti muito respons\u00e1vel e, por isso, mais velha do que a maioria: meus interesses estavam para muito al\u00e9m das festinhas e bate-papos adolescentes; mas velha fisicamente, como me senti aos 16 anos, jamais havia me sentido. E nem aos 40, hoje, sinto.<\/p>\n<p>Meu regresso da <em>bad trip<\/em> (na verdade adoro crises, s\u00e3o transformadoras) veio com a retomada do exerc\u00edcio f\u00edsico que, pela falta de alimenta\u00e7\u00e3o e pela neurose dos padr\u00f5es de ag\u00eancia de modelo, \u00e0 \u00e9poca (nada de m\u00fasculos, nada de acima de 89cm de quadril) tive que interromper por cerca de 8 meses.<\/p>\n<p>N\u00e3o era mais a Fernanda, mas uma intrusa no pr\u00f3prio corpo, com um quadril que cabia num gargalo de garrafa de cerveja que eu nem bebia, olheiras profundas e uma desist\u00eancia absoluta. N\u00e3o aguentei. Desisti definitivamente dessa bobagem de adequa\u00e7\u00e3o a um corpo que naturalmente n\u00e3o era meu, n\u00e3o condizia com as minhas necessidades de subsist\u00eancia e nem com os meus padr\u00f5es de beleza (a Barbie estava ficando gorda perto de mim!!). Comecei um regime de engorda saud\u00e1vel, com treinamento e muscula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim conheci a muscula\u00e7\u00e3o, com o objetivo de criar um corpo com o qual me identificasse e me fizesse sentir confort\u00e1vel.<\/p>\n<p>Um ano depois estava com o peso estabilizado, aquele que julgo ser meu peso ideal para treino: entre 56 e 58Kg. E dos 19 aos 35 anos, o treinamento de for\u00e7a (variando de 5 a 7 vezes por semana) em n\u00edveis de intensidade diversos, fez parte da minha rotina e estilo de vida.<\/p>\n<figure class=\"w-richtext-figure-type-image w-richtext-align-center\" data-rt-type=\"image\" data-rt-align=\"center\">\n<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5e7d3783d673b460296cfdff_5dba0c400087cf0e43c47fd0_SEGUNDA%20OPINIA%CC%83O.png\" \/><\/div>\n<\/figure>\n<p>No entanto, tendo uma identidade que se faz da dan\u00e7a, express\u00e3o corporal e do teatro, o padr\u00e3o de movimento da muscula\u00e7\u00e3o, t\u00e9cnico, repetitivo, pouco expansivo, a certo ponto, desestimulou-me. \u00c0 medida que expandia minha lida com cria\u00e7\u00e3o de texto, interpreta\u00e7\u00e3o e performance, precisei assumir um corpo que me fosse o texto, um corpo expressamente expressivo.<\/p>\n<p>Foi nessa encruzilhada, aos 28 anos, que conheci o Pole, assistindo a uma apresenta\u00e7\u00e3o de um campeonato, via internet. A coreografia misturava elementos art\u00edsticos, ballet cl\u00e1ssico e uma destreza f\u00edsica impressionante. Era disso que precisava! Esparta e Atenas.<\/p>\n<figure class=\"w-richtext-figure-type-image w-richtext-align-center\" data-rt-type=\"image\" data-rt-align=\"center\">\n<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5e7d37a1750dc00c1adc83c2_5dcee94b6331e57e72612092_co%CC%81pia%20de%20PUSSY%20POLE%20POSITION%20.jpg\" \/><\/div>\n<\/figure>\n<p>Ent\u00e3o, entre flertes e tentativas, aos 35 anos (quase uma velha aos olhos do mundo) comecei a dedicar-me, de fato, \u00e0 modalidade. Entre os 28 e os 35, frequentei algumas aulas regulares mas, aos poucos, minha parte esportiva sistem\u00e1tica, come\u00e7ou a falar mais alto e precisei entender mais do assunto.<\/p>\n<p>Fiz cursos de forma\u00e7\u00e3o no Brasil e nos EUA (Pole Fitness Alliance), participei e participo de campeonatos. Ainda assim , precisava de base cient\u00edfica para entender e desenvolver meu pr\u00f3prio treinamento voltado \u00e0 modalidade.<\/p>\n<p>O Pole levou-me tamb\u00e9m \u00e0 uma p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o em Biomec\u00e2nica do treinamento e \u00e0 gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Ao certificado profissional de Personal Trainer a uma especializa\u00e7\u00e3o como Fitness and Sports Nutrition pelo American Council on Exercise.<\/p>\n<p>O conhecimento cient\u00edfico tem sido incentivo constante ao pr\u00f3prio treinamento e ao uso do esporte e da dan\u00e7a como elementos discursivos, uma experi\u00eanciaCorpo-Texto.<\/p>\n<p>\u00c9 a atriz cientista ou a cientista atriz&#8230;<\/p>\n<p>Projetos futuros em andamento: testes de metodologia emp\u00edrica de treinamento no pole, a partir de par\u00e2metros fisiol\u00f3gicos, a coreografia para o pr\u00f3ximo campeonato, um texto ficcional qualquer sobre uma Barbie feminista&#8230; Esparta, Atenas, aspartame e espartilho&#8230; Acho que isso a\u00ed sou eu.<\/p>\n<p>Nesse final de debru\u00e7amento biogr\u00e1fico, mais que terapia, um redemoinho nas bagagens, valem par\u00eanteses ontol\u00f3gicos: sim, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais. Descubro-me, de fato, uma mistura de ambos: do t\u00e9cnico de basquete que rabisca jogadas e da jogadora de v\u00f4lei que pinta pain\u00e9is&#8230;<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, a minha hist\u00f3ria mais aut\u00eantica, que jamais escrevi.<\/p>\n<p>\u200d[\/et_pb_text][\/et_pb_column]<br \/>\n\t\t\t[\/et_pb_row]<br \/>\n\t\t[\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h4>Lembro da fat\u00eddica noite: algu\u00e9m deve ter me chamado de gorda, assinado seu bullying costumeiro na minha testa. 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Cheguei em casa domingo \u00e0 noite (sempre odiei os programas da Rede Globo...Fant\u00e1stico... urghhh), abri a geladeira para esfriar a cabe\u00e7a e dei de cara com os enroladinhos de goiabada da vov\u00f3 L\u00fa... Os enroladinhos mais perfeitos e desafiadores da minha vida.\n\nBarbie-enroladinho; Barbie-enroladinho; Barbie-enroladinho...\n\nEscolhi:Barbie!\n\nO tempo parou, rufaram tambores e est\u00f4mago; e eu, bravamente, fechei a porta da geladeira como quem sela um pacto! Travei dentes e fui dormir tendo pesadelos com aquele doce de goiaba. Foi a minha primeira vit\u00f3ria.\n\nA partir da\u00ed, comecei uma dieta emp\u00edrica, baseada mais ou menos nas outras dietas que j\u00e1 havia feito (as dietas s\u00e9rias, n\u00e3o as dementes como aquela do presunto e ovo, a l\u00edquida, a da melancia, da \u00e1gua e da sopa de sals\u00e3o).\n\nAcabei com a maioria do carboidrato complexo, p\u00e3es e massas (o que, depois, descobri ter sido uma bobagem) e com a\u00e7\u00facares, frituras. Ficaram os queijos, cereal, frutas, legumes e saladas.\n\nA Barbie nazi-fascista estava disciplinando a gordinha descarada. Nessa hora entraram em cena os exerc\u00edcios f\u00edsicos para aumentar o gasto cal\u00f3rico. Nunca fui uma crian\u00e7a sedent\u00e1ria: fazia jazz, nata\u00e7\u00e3o, handball, mas absolutamente descompromissada do objetivo de emagrecimento, sem a consci\u00eancia alimentar que ent\u00e3o, estava come\u00e7ando a desenvolver, ainda que dentro de muitos equ\u00edvocos desnecess\u00e1rios.Uma pena que \u00e0 \u00e9poca a nutri\u00e7\u00e3o especializada ainda era pouco difundida.\n\nComecei a treinar em casa, sozinha, por 1 hora, com \u00eanfase em treino aer\u00f3bico, espelhando-me na Mamma. E o resultado, de fato, veio. Foram 2 anos, em m\u00e9dia, e 35 quilos a menos na balan\u00e7a.\n\nA dieta? Continuou a mesma, restritiva em alguns muitos itens, mas equilibrada. N\u00e3o consegui retornar aos doces, frituras e aos industrializados, em geral. Foi um per\u00edodo interessante porque comecei a cozinhar para mim e a ter uma no\u00e7\u00e3o muito ampla da utiliza\u00e7\u00e3o dos alimentos <em>in natura<\/em>.\n\nNo entanto, sem orienta\u00e7\u00e3o, e com um certo pavor de voltar aos 83Kg, sem entendera l\u00f3gica matem\u00e1tica das dietas (e dieta \u00e9 s\u00f3 isso - matem\u00e1tica), aos 16 anos, acabei chegando aos 48 quilos, completamente desproporcionais em rela\u00e7\u00e3o aos1,75 m de altura.\n\nNa verdade, a perda de peso foi fruto de um breve per\u00edodo turbulento: tinha que escolher\u00a0 oque queria ser quando crescesse. Sempre tive inclina\u00e7\u00e3o para todas as \u00e1reas, mas queria ser artista e, ao mesmo tempo, estudar n\u00fameros, ossos, qu\u00edmica... Queria ser atriz e cientista...\n\nComo uma adolescente em busca de rumo e tamb\u00e9m de auto-aprova\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da minha baixa autoestima causada pelo estigma de ter sido gorda, fui contaminada, presa f\u00e1cil, pela febre da moda nos anos 90: decidi entre atriz e cientista, tornaria-me modelo...\n<figure class=\"w-richtext-figure-type-image w-richtext-align-center\" data-rt-type=\"image\" data-rt-align=\"center\">\n<div><img src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5e7d375e669e120cbc69d9ab_5dcee56e09aeed6d7b7e548c_PUSSY%20PARA%20CANDIDATA.jpg\" \/><\/div><\/figure>\nNa verdade, uma menina que estava querendo provar ao mundo que podia, sim, ser oficialmente bonita. Absurdo... e tinha consci\u00eancia disso \u00e0 \u00e9poca, mas a vingan\u00e7a soou mais alto e aos 16 anos e 48 quilos, estava magra e horr\u00edvel. Sentia saudades da gordinha feliz. Ah, a minha scachiatta di cipola...\n\nOs poucos meses vivendo a rotina f\u00fatil de frustra\u00e7\u00f5es dos bastidores de algumas ag\u00eancias de modelo que inspecionam cent\u00edmetros de quadril, largura do nariz e dist\u00e2ncia entre os dedos do p\u00e9, como quem qualifica rebanho, praticamente catapultaram-me \u00e0 faculdade.\n\nO que levei na bagagem dessa \u00e9poca? Um profundo senso de inadequa\u00e7\u00e3o, compat\u00edvel ou pior que aquele da gordinha de inf\u00e2ncia, e uma p\u00e9ssima sensa\u00e7\u00e3o de que aos 20 anos j\u00e1 seria velha, no sentido mais pejorativo da palavra.\n\nSempre me senti muito respons\u00e1vel e, por isso, mais velha do que a maioria: meus interesses estavam para muito al\u00e9m das festinhas e bate-papos adolescentes; mas velha fisicamente, como me senti aos 16 anos, jamais havia me sentido. E nem aos 40, hoje, sinto.\n\nMeu regresso da <em>bad trip<\/em> (na verdade adoro crises, s\u00e3o transformadoras) veio com a retomada do exerc\u00edcio f\u00edsico que, pela falta de alimenta\u00e7\u00e3o e pela neurose dos padr\u00f5es de ag\u00eancia de modelo, \u00e0 \u00e9poca (nada de m\u00fasculos, nada de acima de 89cm de quadril) tive que interromper por cerca de 8 meses.\n\nN\u00e3o era mais a Fernanda, mas uma intrusa no pr\u00f3prio corpo, com um quadril que cabia num gargalo de garrafa de cerveja que eu nem bebia, olheiras profundas e uma desist\u00eancia absoluta. N\u00e3o aguentei. Desisti definitivamente dessa bobagem de adequa\u00e7\u00e3o a um corpo que naturalmente n\u00e3o era meu, n\u00e3o condizia com as minhas necessidades de subsist\u00eancia e nem com os meus padr\u00f5es de beleza (a Barbie estava ficando gorda perto de mim!!). Comecei um regime de engorda saud\u00e1vel, com treinamento e muscula\u00e7\u00e3o.\n\nAssim conheci a muscula\u00e7\u00e3o, com o objetivo de criar um corpo com o qual me identificasse e me fizesse sentir confort\u00e1vel.\n\nUm ano depois estava com o peso estabilizado, aquele que julgo ser meu peso ideal para treino: entre 56 e 58Kg. E dos 19 aos 35 anos, o treinamento de for\u00e7a (variando de 5 a 7 vezes por semana) em n\u00edveis de intensidade diversos, fez parte da minha rotina e estilo de vida.\n<figure class=\"w-richtext-figure-type-image w-richtext-align-center\" data-rt-type=\"image\" data-rt-align=\"center\">\n<div><img src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5e7d3783d673b460296cfdff_5dba0c400087cf0e43c47fd0_SEGUNDA%20OPINIA%CC%83O.png\" \/><\/div><\/figure>\nNo entanto, tendo uma identidade que se faz da dan\u00e7a, express\u00e3o corporal e do teatro, o padr\u00e3o de movimento da muscula\u00e7\u00e3o, t\u00e9cnico, repetitivo, pouco expansivo, a certo ponto, desestimulou-me. \u00c0 medida que expandia minha lida com cria\u00e7\u00e3o de texto, interpreta\u00e7\u00e3o e performance, precisei assumir um corpo que me fosse o texto, um corpo expressamente expressivo.\n\nFoi nessa encruzilhada, aos 28 anos, que conheci o Pole, assistindo a uma apresenta\u00e7\u00e3o de um campeonato, via internet. A coreografia misturava elementos art\u00edsticos, ballet cl\u00e1ssico e uma destreza f\u00edsica impressionante. Era disso que precisava! Esparta e Atenas.\n<figure class=\"w-richtext-figure-type-image w-richtext-align-center\" data-rt-type=\"image\" data-rt-align=\"center\">\n<div><img src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/5c869e9f284cd41840174f26\/5e7d37a1750dc00c1adc83c2_5dcee94b6331e57e72612092_co%CC%81pia%20de%20PUSSY%20POLE%20POSITION%20.jpg\" \/><\/div><\/figure>\nEnt\u00e3o, entre flertes e tentativas, aos 35 anos (quase uma velha aos olhos do mundo) comecei a dedicar-me, de fato, \u00e0 modalidade. Entre os 28 e os 35, frequentei algumas aulas regulares mas, aos poucos, minha parte esportiva sistem\u00e1tica, come\u00e7ou a falar mais alto e precisei entender mais do assunto.\n\nFiz cursos de forma\u00e7\u00e3o no Brasil e nos EUA (Pole Fitness Alliance), participei e participo de campeonatos. Ainda assim , precisava de base cient\u00edfica para entender e desenvolver meu pr\u00f3prio treinamento voltado \u00e0 modalidade.\n\nO Pole levou-me tamb\u00e9m \u00e0 uma p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o em Biomec\u00e2nica do treinamento e \u00e0 gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Ao certificado profissional de Personal Trainer a uma especializa\u00e7\u00e3o como Fitness and Sports Nutrition pelo American Council on Exercise.\n\nO conhecimento cient\u00edfico tem sido incentivo constante ao pr\u00f3prio treinamento e ao uso do esporte e da dan\u00e7a como elementos discursivos, uma experi\u00eanciaCorpo-Texto.\n\n\u00c9 a atriz cientista ou a cientista atriz...\n\nProjetos futuros em andamento: testes de metodologia emp\u00edrica de treinamento no pole, a partir de par\u00e2metros fisiol\u00f3gicos, a coreografia para o pr\u00f3ximo campeonato, um texto ficcional qualquer sobre uma Barbie feminista... Esparta, Atenas, aspartame e espartilho... Acho que isso a\u00ed sou eu.\n\nNesse final de debru\u00e7amento biogr\u00e1fico, mais que terapia, um redemoinho nas bagagens, valem par\u00eanteses ontol\u00f3gicos: sim, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais. Descubro-me, de fato, uma mistura de ambos: do t\u00e9cnico de basquete que rabisca jogadas e da jogadora de v\u00f4lei que pinta pain\u00e9is...\n\nSem d\u00favida, a minha hist\u00f3ria mais aut\u00eantica, que jamais escrevi.\n\n\u200d","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[35],"tags":[],"class_list":["post-1130","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-a-pussy-que-a-pariu"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1130"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1130\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4450,"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1130\/revisions\/4450"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1146"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}