{"id":1568,"date":"2022-04-18T13:38:10","date_gmt":"2022-04-18T16:38:10","guid":{"rendered":"http:\/\/fernandabellicieri.com\/as-pressas\/"},"modified":"2022-08-27T17:59:30","modified_gmt":"2022-08-27T20:59:30","slug":"as-pressas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/as-pressas\/","title":{"rendered":"As pressas"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0s preces pe\u00e7o as pressas, que preguem-me as pe\u00e7as e me desconstrua os dias. R\u00e1pido, vulc\u00e3o! N\u00e3o posso a espera. N\u00e3o passo, n\u00e3o ando, n\u00e3o encontro o caminho alternativa.<\/p>\n<p>Rezo para que vire-me a vida cabe\u00e7a abaixo; para que eu ande pisando nuvens e despreocupe se a realidade arrasta-me miolos no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 muito o que pe\u00e7o? Quase-quase \u00e9 nada. Algu\u00e9m, em s\u00e3 consci\u00eancia, j\u00e1 rezou para ter a vida esburacada, atirada aos \u00edmpetos de futuro incerteza? E o que quero \u00e9 ainda menos: \u00e9 presente incerto de desinventar qualquer seguran\u00e7a. Descabe\u00e7ar id\u00e9ias constru\u00eddas, sujar o couro de novas ra\u00edzes. Virar cabe\u00e7a abaixo; plantar-me um outro, um bem-vindo desconhecido. P\u00e9s andando c\u00e9us e essas minhas estradas de mundo. Imundo de mim, sem satisfa\u00e7\u00f5es, prestadas ou emprestadas; quero s\u00f3 as minhas, s\u00f3 aquelas que possa autenticar. \u00c9 muito o que pe\u00e7o? De modo algum! \u00c9 quase nada.<\/p>\n<p>Qual o pre\u00e7o?<\/p>\n<p>Que dessa toda vontade, n\u00e3o haja o que me impe\u00e7a. Que despe\u00e7a-se o \u00f3dio de ser guiado a correntes; que corra-se longe, o lugar comum. Que brilhe-me a falta de diretriz, aquela coordenada mesquinha que aprisiona novos rumos e os impede de abra\u00e7arem-me.<\/p>\n<p>Brilhe-me \u00e0 larga escala, os horizontes imprevis\u00edveis, n\u00e3o mensur\u00e1veis, n\u00e3o miser\u00e1veis. Horizontes tais que a mediocridade horizontal n\u00e3o alcan\u00e7a. Quero pressas, furac\u00f5es e revoadas: largar as l\u00ednguas que me calam o imposs\u00edvel. Cuspo fora o im. Ouch! Escarro o restolho da improbabilidade e da import\u00e2ncia. In? Out!<\/p>\n<p>Amo a sina dos culpados por serem do dom de si. Amo-lhes a musicalidade, os p\u00e9s nas nuvens, os miolos derramados no ch\u00e3o. Como s\u00e3o fortes em sua leveza n\u00e3o segura&#8230; Flutuam, quase sem corpo, quase s\u00f3 alma&#8230; Liberdades&#8230;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o n\u00e3o pe\u00e7o absolutamente nada do que n\u00e3o me seja marca nascen\u00e7a: liberdades. A mesma dos p\u00e9s r\u00e9cem nascidos, suspensos, ponta cabe\u00e7a: o choro de primeiro respiro. Pe\u00e7o n\u00e3o, nascer de novo: passos virados \u00e0s nuvens, miolos esparramados no ch\u00e3o. Pe\u00e7o n\u00e3o; exijo o meu peda\u00e7o do imprevis\u00edvel. N\u00e3o pe\u00e7o nada: essa vontade, \u00e0 vontade, s\u00f3 essa vontade j\u00e1 me faz .<\/p>\n<p>Satisfaz o rir \u00e0 toa, o torto e o direito, os pulm\u00f5es e os ares. Inspiro desse mal, que me \u00e9 todo bem; desse mal de querer-me indevido.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 assim que julgam, os ca\u00e7adores de prazer? Indevidos? Desimporta-me, quero-me desse mais puro, desse dom de existir somente meus preceitos; chamem como quiserem&#8230; Indevido, duvidoso, em desastre&#8230; Chamem-me o nome que alcan\u00e7arem as l\u00ednguas comuns.<\/p>\n<p>Por Indiv\u00edduo \u00e9 que respondo, em mai\u00fasculo, em mem\u00f3ria, em desagrado&#8230; Indiv\u00edduo \u00e9 como quero que me guardem, aguardem ou nem percam seu tempo. Indiv\u00edduo n\u00e3o \u00e9 o que pe\u00e7o; \u00e9 o que posso. Pelo \u00fanico que me passo. Passo e passo. Que me passa pela cabe\u00e7a virada de avessos, miolos derramados e p\u00e9s de nuvens.<\/p>\n<p>Apressam-se meus passos, a \u201cposso&#8221; e posse. N\u00e3o \u00e9 prece, \u00e9 \u00a0&#8220;apresse-se&#8221;, \u00e9 &#8221; corra \u201c ou morra. Indiv\u00edduo, indevido, n\u00e3o duvido: o \u00fanico in que cabe justo. Ent\u00e3o nem mais pe\u00e7o, sou prece, assim passo e passo, posso e posso. Sou e soul\u2026<\/p>\n<p>\u200d<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s preces pe\u00e7o as pressas, que preguem-me as pe\u00e7as e me desconstrua os dias. R\u00e1pido, vulc\u00e3o! N\u00e3o posso a espera. N\u00e3o passo, n\u00e3o ando, n\u00e3o encontro o caminho alternativa. 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