{"id":1567,"date":"2022-04-18T13:38:10","date_gmt":"2022-04-18T16:38:10","guid":{"rendered":"http:\/\/fernandabellicieri.com\/o-destino-atras-da-porta\/"},"modified":"2022-08-27T17:58:41","modified_gmt":"2022-08-27T20:58:41","slug":"o-destino-atras-da-porta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/o-destino-atras-da-porta\/","title":{"rendered":"O destino atr\u00e1s da porta"},"content":{"rendered":"<p>Atr\u00e1s da porta dorme um destino; acordado tempos atr\u00e1s em luzes e tons de esperan\u00e7a. Atr\u00e1s da porta, adormeceu; sem se saber ao certo quando ou o motivo. Cansado de esperar que despertasse, o homem, em sua dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Atr\u00e1s da porta aberta adormeceu; que ficou l\u00e1, esquecido, como se nem existissem futuros, como se desistissem os planos, como se o homem consentisse em viver, imut\u00e1vel, seus todos dias.<\/p>\n<p>O destino dormiu atr\u00e1s da porta aberta.<\/p>\n<p>E seria t\u00e3o f\u00e1cil encontr\u00e1-lo, t\u00e3o \u00f3bvio entregar-se a suas promessas de caminhos. Que todo destino \u00e9 justo, desde que o homem saiba pertencer. Um homem n\u00e3o \u00e9 seu, \u00e9 de seu destino, do \u00fanico que lhe cabe, o \u00fanico capaz de indicar-lhe a porta aberta, que agora jaz. Que agora, j\u00e1 em tempo, desdetinou-se\u2026<\/p>\n<p>E o homem, desavisado, como foi esquecer o destino atr\u00e1s da porta? Um destino pronto, seu. Foi o destino, ele pr\u00f3prio: abriu a porta, dando boas-vindas ao homem que nem o notou&#8230; Passou despercebido, esquecendo um futuro, escolhido encolhido, escorrido atr\u00e1s da porta. Que destino triste, esse do futuro\u2026<\/p>\n<p>O homem passou pela porta aberta, cruzou a linha que, t\u00eanue, separava-o de seu original. Cruzou a porta desdenhando o destino desenhado, um homem-c\u00f3pia que a partir dali, assumiu-se como tal, um n\u00e3o-total, incompleto. Um partido, sem destino.<\/p>\n<p>E o destino logo ali, pr\u00f3ximo, guardando atr\u00e1s da porta, sua vers\u00e3o integral. Seu destino aguardando\u2026<\/p>\n<p>E foi tamanha a espera, que adormeceu. E nem p\u00f4de correr atr\u00e1s do homem, nem o viu passar. Nem p\u00f4de avis\u00e1-lo que todas as gl\u00f3rias tinham sido deixadas atr\u00e1s da porta. Uma fatalidade\u2026<\/p>\n<p>E por vezes, um e outro enxergam-se nesse homem; que ele existe caminhando, por a\u00ed, passo por passo; caminhando caminhar, com um destino atr\u00e1s da porta.<\/p>\n<p>Um e outro enxergam-se dessa mesma estrada, sem dire\u00e7\u00e3o; que um e outro tamb\u00e9m perderam-se indestinos. Um e outro quase inexistem\u2026 Certas vezes, desistem. A cada porta do dia comum, aberta ou fechada, a cada porta que importa a mem\u00f3ria do destino que lhes cabia, j\u00e1 fugidia, e que exporta, nos passos vacilantes desses uns e outros, a dor lancinante do que jamais viveram, reincidente.<\/p>\n<p>Mas quem se importa? O destino atr\u00e1s da porta?<\/p>\n<p>O destino, por acidente, j\u00e1 transformado em passado, atormentado, um inc\u00f4modo indecifr\u00e1vel?\u2026 N\u00e3o, ao destino que deveria ter sido, n\u00e3o se reporta\u2026<\/p>\n<p>Mas, e se houvesse de recuper\u00e1-lo? Se houvesse, ao menos, de fazer o homem entender que se perdera\u2026 Se o homem pudesse olhar atr\u00e1s da porta\u2026<\/p>\n<p>Se houvesse um caminho em retrocesso e esse meio homem que perdeu-se indestino pudesse reconhecer o destino, j\u00e1 velho, esquecido passado atr\u00e1s da porta; se pudesse reconhecer-se, seu outro meio-homem contaminado de v\u00e3os vazios\u2026 Se soubesse voltar atr\u00e1s\u2026 bem ali, atr\u00e1s da porta\u2026<\/p>\n<p>Talvez o tempo retornasse, talvez lhe tomasse em f\u00faria as dores dos passos impasses; talvez, o tempo desse um tempo ao destino e ele, meio-homem, encontraria-se, meio-homem e, por fim, existiria um s\u00f3 destino.<\/p>\n<p>Se houvesse de voltar atr\u00e1s, bem ali, atr\u00e1s daquela porta em que jaz um destino, um e outro descobriria-se \u00e0s metades e, s\u00f3 assim, poderia fechar a porta que o separava de seu destino para, dali para frente, nunca mais voltar atr\u00e1s.<\/p>\n<p>\u200d<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atr\u00e1s da porta dorme um destino; acordado tempos atr\u00e1s em luzes e tons de esperan\u00e7a. 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