{"id":1555,"date":"2022-04-18T13:38:10","date_gmt":"2022-04-18T16:38:10","guid":{"rendered":"http:\/\/fernandabellicieri.com\/parto-dos-sonhos\/"},"modified":"2022-08-27T18:00:41","modified_gmt":"2022-08-27T21:00:41","slug":"parto-dos-sonhos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fernandabellicieri.com\/it\/parto-dos-sonhos\/","title":{"rendered":"Parto dos sonhos"},"content":{"rendered":"<p>De onde nascem os sonhos?<\/p>\n<p>Do princ\u00edpio de um fim,<\/p>\n<p>Agonia desejosa de fim algum\u2026<\/p>\n<p>Qual o fim, afinal, dos sonhos?<\/p>\n<p>Revelar realidades poss\u00edveis, criar outras?<\/p>\n<p>Tecer intrigas com o concreto?<\/p>\n<p>Fantasi\u00e1-lo para festa?<\/p>\n<p>Faz\u00ea-lo pesadelo?<\/p>\n<p>Ah, esse \u00e9 o fim de todo sonho em seu distorcer real:<\/p>\n<p>Tornar-se pesadelo<\/p>\n<p>H\u00e1 quem os julgue esperan\u00e7a;<\/p>\n<p>Esses tais, misericordiosos idealizadores<\/p>\n<p>Esses idealizadores s\u00f3s, prisioneiros de seus universos concebidos<\/p>\n<p>Inconscientes,<\/p>\n<p>Tanto quanto inconsistentes<\/p>\n<p>Mold\u00e1veis \u00e0s custas de p\u00e1lpebras cerradas de pobre sonhador<\/p>\n<p>Sonha, dor<\/p>\n<p>Vela a dor de n\u00e3o poder tomar em m\u00e3os, nem a peito aberto,<\/p>\n<p>A tal felicidade de sonho<\/p>\n<p>O sonho que se faz, por ora, j\u00e1 vencido\u2026<\/p>\n<p>Ah, o satisfeito cego de p\u00e1lpebras anestesiadas!<\/p>\n<p>Serraram-lhe membros, bra\u00e7os e pernas<\/p>\n<p>S\u00f3 lhe resta a cabe\u00e7a ao descaso<\/p>\n<p>Ao acaso de aguardar seu mundo mudo emoldurado,<\/p>\n<p>Seu mundo de moldar<\/p>\n<p>Teatro de boneco, sua vida de sonho,<\/p>\n<p>Que, em verdade, n\u00e3o vende sonho algum:<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m cr\u00ea em felicidades aleijadas e contentamentos inertes<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m \u00a0cr\u00ea em sonho s\u00f3 sonhado<\/p>\n<p>Sonho s\u00f3 sonhado \u00e9 p\u00f3<\/p>\n<p>Nem pedra, nem sorte, nem fonte<\/p>\n<p>Nem \u00e1gua<\/p>\n<p>S\u00f3 afogamento<\/p>\n<p>Instant\u00e2neo<\/p>\n<p>De ser, a cada segundo, submerso na aus\u00eancia recorrente do que se sonha<\/p>\n<p>Se sonhos causam tanta dor,<\/p>\n<p>por que socorrer-lhes em leito de morte?<\/p>\n<p>Quando tudo j\u00e1 \u00e9, mesmo, fim,<\/p>\n<p>Quando tudo tem mesmo fim<\/p>\n<p>Todos morremos de um mesmo fim: absolutamente previs\u00edveis<\/p>\n<p>Vulner\u00e1veis e iguais<\/p>\n<p>Ordin\u00e1rios<\/p>\n<p>Recorrentes ao resgate de \u00a0nossas agonias<\/p>\n<p>Para um \u00faltimo instant\u00e2neo de reden\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Quando todos os sonhos falam de sorte,<\/p>\n<p>Porque nada mais se pode esperar<\/p>\n<p>Quando todos os sonhos valem a pena porque j\u00e1 nunca existiram mais<\/p>\n<p>Ou existir\u00e3o<\/p>\n<p>Se todos morremos de mesmo fim\u2026<\/p>\n<p>E assim, todos os sonhos cessam de morte,<\/p>\n<p>Sem se saber de onde nascem<\/p>\n<p>Sem se saber se crescem ou desmoronam,<\/p>\n<p>Sem se saber, ao certo, o que s\u00e3o:<\/p>\n<p>S\u00e3os ou loucos<\/p>\n<p>Sem sequer finalidade\u2026<\/p>\n<p>Se todos morremos de mesmo fim\u2026<\/p>\n<p>S\u00f3s e \u00fanicos,<\/p>\n<p>Talvez sonhos n\u00e3o devam ter um fim,<\/p>\n<p>Exceto acompanhar sonhador e seu estranho deleite<\/p>\n<p>De fazer nascer-morrer-se a cada instante de esperan\u00e7a<\/p>\n<p>A cada constante renascer-se sonhador<\/p>\n<p>Da vida ao \u00a0leito<\/p>\n<p>De um \u00a0luto que s\u00f3 se divide entre sonho e sonhador<\/p>\n<p>Em sua dor de entender um mundo tanto inconsistente quanto insconsciente<\/p>\n<p>Em que tudo se finda sem sequer afinar-se ou definir-se<\/p>\n<p>De fins sem come\u00e7os e de come\u00e7os sem fim<\/p>\n<p>Se todos morremos de mesmo fim\u2026<\/p>\n<p>T\u00e3o previs\u00edveis e sem engenhosidade<\/p>\n<p>Talvez os sonhos nos nas\u00e7am de s\u00f3 nascer<\/p>\n<p>Sem que devamos tentar decifr\u00e1-los tal fossem nossa escolha<\/p>\n<p>Assim como n\u00e3o nos \u00e9 dado decifrar em fins o corpo, um bra\u00e7o, uma perna<\/p>\n<p>Talvez os sonhos nos nas\u00e7am de s\u00f3 nascer<\/p>\n<p>E s\u00f3 se saiba o prop\u00f3sito ali, naquele seu \u00faltimo instante<\/p>\n<p>Instant\u00e2neo<\/p>\n<p>Quando, enfim, nos tornamos do corpo que jamais sonhamos<\/p>\n<p>Nos tornamos um fim aos nossos sonhos<\/p>\n<p>E ali, talvez se descubra que eles sim, tinham um prop\u00f3sito<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o sejamos n\u00f3s a ter nos sonhos um fim,<\/p>\n<p>Mas descubramos ter sido, enfim,<\/p>\n<p>Aos nossos sonhos, um grande prop\u00f3sito<\/p>\n<p>Jamais os teremos: pertencemos a eles<\/p>\n<p>\u200d<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De onde nascem os sonhos? 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